Pará tem em média 1 assalto a banco a cada 15 dias. Já houve 26 no ano





Até o mês atual, o Pará registrou a média de um assalto a cada 15 dias, envolvendo diversas agências bancárias espalhadas pelo Estado. No total, foram 26 ocorrências, sendo 11 tentativas e 15 assaltos consumados. A maioria ocorreu em municípios do interior (ver box), o que, para o Sindicato dos Bancários do Estado do Pará, demonstra a fragilidade da segurança pública nestes locais que são alvos fáceis de quadrilhas e de criminosos. Contudo, o pior é o pânico generalizado que esse tipo de ação provoca nessas cidades, a exemplo do assalto cinematográfico praticado em Jacundá na madrugada de ontem (13).

Dos 15 assaltos registrados no Estado este ano, sendo um deles em Belém, 5 foram por arrombamentos de agências, em outros 5 houve explosão de caixas eletrônicos ou cofres e os demais foram na modalidade sapatinho, inclusive, envolvendo sequestro de funcionários. A exemplo do caso ocorrido no último dia 14 de março, no distrito de Mosqueiro. A vítima foi o tesoureiro de uma agência da Caixa Econômica Federal, de acordo com informações repassadas pelo presidente do Sindicato, Gilmar Santos.

“O sequestro é um dos piores porque mexe com a família e causa um impacto negativo no psicológico da pessoa sequestrada”, avalia Gilmar, ao ressaltar que uma das reivindicações da categoria é de que as chaves das agências não fiquem com os bancários, mas em posse das empresas que fazem a segurança privada desses locais. Gilmar diz sentir um alívio, já que, apesar do número significante de crimes, traumas e prejuízos materiais, por sorte, não houve vítimas fatais.

Quadrilhas estão anos-luz em relação à polícia

O sindicalista ressalta que, em geral, as quadrilhas planejam com meses de antecedência os assaltos às agências bancárias. Segundo ele, os criminosos avaliam a rotina da agência, da cidade e da própria polícia. Por esse motivo, o sindicato cobra ações preventivas da polícia juntamente com os órgãos de segurança pública, a fim de coibir tais práticas. “A segurança pública precisa se antecipar intensificando o trabalho de inteligência e de monitoramento das áreas onde há agências para tentar barrar ações dessas quadrilhas”, pontua Santos.

Há pouco mais de uma semana, o sindicato protocolou um ofício à Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) solicitando uma reunião com a categoria para debater e buscar soluções para a situação. Santos diz que o sindicato irá aguardar uma resposta em um prazo de 15 dias, caso contrário, o ofício será encaminhado cobrando diretamente o governador do Estado, Simão Jatene.

“Os municípios do interior são os mais vulneráveis. É onde a segurança é deficiente. Falta estrutura e o contingente policial é pequeno”, sintetiza ele, ao acrescentar que, até a polícia conseguir reforço nesses locais, a ação já foi consumada. Outra cobrança do sindicato é a recomposição de um grupo de trabalho que, até 2010, reunia o sindicato, empresas de transporte de valor, vigilantes e representantes do sistema de segurança pública para debater acerca do problema. O grupo foi desfeito em 2011. “Recentemente a polícia prendeu um grupo no Sul do Pará que se preparava para assaltar uma agência. De vez em quando a polícia consegue desbaratar quadrilhas. Mas isso não resolve o problema”, pondera.

Fonte:   (Pryscila Soares/Diário do Pará)